O investimento via Lei Rouanet em Goiás em 2012
Desde o ano passado, quando a Nexo fez a sua primeira análise sobre a distribuição dos recursos via Lei Rouanet no Brasil, a partir de dados oficiais do Ministério da Cultura, dois estados chamavam a nossa atenção pelo baixo investimento que recebiam frente a sua representatividade para o país: Bahia e Goiás. Recentemente, mostramos a situação da captação de recursos pelos projetos baianos e agora é hora de focar nosso olhar na situação de Goiás.
O estado de Goiás representa, segundo os últimos levantamentos oficiais, pouco mais de 3% da população e quase o mesmo número relativo ao PIB. No entanto, quando pegamos a participação do estado na distribuição de recursos via Lei Rouanet, o principal mecanismo de incentivo à Cultura do país, vemos uma participação de apenas 0,6% de projetos goianos nesse bolo. Mais uma vez importante ressaltar: a análise considera apenas projetos de proponentes oriundos do Estado de Goiás, e não considera projetos de proponentes de outras regiões que são executados em Goiás.
Em 2010 e 2011, era possível notar um crescimento no montante de recursos investidos no Estado, porém em 2012 vimos uma retração nessa curva ascendente: houve uma queda de 11% na captação entre 2011 e 2012.
Repetindo a análise que fizemos anteriormente com a Bahia, projetamos o investimento de Goiás se a distribuição estivesse de acordo com a sua representatividade em termos de população e PIB para o Brasil. Considerando esses critérios, Goiás teve no ano passado um déficit de captação que ultrapassou os R$ 25 milhões.
Quando analisamos quais são os principais investidores em projetos do Estado, nota-se que a maioria delas tem algum tipo de ligação direta com Goiás. A Anglo American, maior investidora no ano passado, possui minas de níquel nas cidades de goianas de Catalão e Barro Alto. Nessa mesma lista, destacam-se a SANEAGO (Companhia de Saneamento de Goiás), a Caoa Montadora de Veículos – que tem operações em Anápolis – e a indústria de fertilizantes Copebrás, com operações também em Catalão.
Importante notar a baixa presença dos maiores investidores de Cultura via Lei Rouanet – a maior parte deles, com atuação nacional – na lista de patrocinadores de projetos goianos: apenas Petrobras e a Eletrobras aparecem na relação, ainda que de forma tímida. Empresas como a Vale, o Banco Itaú e a Vivo, para mencionar apenas algumas, não investiram em nenhum projeto goiano no último ano.
Dentre aqueles proponentes que conseguiram captar recursos, se destaca a Pazini, único que captou mais de R$ 1 milhão dentre todos os projetos goianos, concentrando 22% do montante total do Estado. Importante notar que ambos os projetos cujo proponente é a Pazini, uma empresa de som e luz local, são realizados pelo Governo do Estado de Goiás: o Arraiá do Cerrado, uma realização do Governo do Estado com patrocínio de R$ 1.164.000,00 da SANEAGO (o que equivalente a 100% do investimento da empresa em 2012), e o Reveillon na Praça Cívica, que captou R$ 490.000,00.
Outra observação importante, analisando a lista dos maiores captadores, é a relevância de proponentes da cidade de Barro Alto, um dos municípios de operação da Anglo American, na lista: somados, os dois projetos de associações locais chegam a R$ 1,1 mi captados. Abaixo, a lista dos 10 maiores captadores de recursos do Estado.
Segundo dados do Ministério da Cultura, até 21 de junho de 2013, eram 168 os projetos de empreendedores culturais goianos aptos a captar recursos via Lei Rouanet, que totalizam um valor a ser captado de pouco mais de R$ 100 milhões de reais. Ou seja: há mais valores disponíveis para captação do que o déficit do Estado mostrado acima.
Acreditamos que um importante passo para minimizar a situação negativa que se encontra o Estado de Goiás seja a participação ativa do Governo local na prospecção junto aos principais investidores de Cultura no país, que hoje praticamente não colocam recursos no setor cultural goiano. A maior parte dessas empresas tem atuação nacional e, como já mostramos anteriormente, concentram seus recursos somente no eixo Rio-SP.
Outra ação importante a ser tomada, seguindo exemplos de outros Estados brasileiros, seria a criação de uma política mais transparente de investimento das empresas ligadas ao Governo do Estado, como a SANEAGO, de preferência pautada por editais e processos que permitam a descentralização dos recursos entre os empreendedores culturais goianos.





24 de junho de 2013 @ 13:47
Boa tarde!
Parabéns! Esta matéria é o raio-X do nosso estado, infelizmente não é a realidade que gostaríamos de ver, sabemos que o estado de GO possui muitas empresas que podem realizar o patrocínio, mas infelizmente algumas delas são instaladas no estado e enviam o patrocínio para outro estado.
Um outro exemplo são as empresas que vem para o estado apenas para conseguir algum tipo de benefício e que não se importa muito com este tipo de possibilidade de apoio e simplesmente não fazem nada.
Concordo plenamente, as empresas estaduais deveriam realizar a distribuição dos incentivos via edital, só assim haveria uma forma mais democrática de distribuição, mas seria bom lembrar, por exemplo da CELG, pois mesmo falida deduz imposto de renda, o Banco Itaú que comprou o bando do estado (BELG) e praticamente não participa de patrocínios no estado.
Gostaria de parabenizar as poucas empresas do estado que cumprem o papel social de investir, mesmo que de uma forma incentivada, na comunidade onde atua, para mim o Grupo Anglo American (Copebrás e Mineração Catalão) é um exemplo de como as empresas devem atuar. Na contramão disso temos outros grande patrocinadores em potencial que ignoram a possibilidade de ajudar a cultura e a comunidade onde atua simplesmente por não se importar ou quem sabe pela ignorância, falta de conhecimento da lei de incentivo, como os grandes laboratórios do Distrito Industrial de Anápolis, MMC Automotores (Mitsubishi Motors) em Catalão, Vale Fertilizantes em Catalão, Yamana Gold em Pilar de Goiás, etc…
Novamente parabéns!